domingo, 12 de abril de 2009

E POR FALAR EM LÍNGUA, POR QUE NÃO FALAR DE ENSINO DA LÍNGUA?

QUE TIPO DE LÍNGUA ENSINAMOS? LÍNGUA DIVERSA OU UNIFORME? Para realizar um estudo sobre qualquer aspecto concernente ao processo de ensino de língua materna, é necessário que se reveja algumas concepções pedagógicas na área de lingüística. Essas concepções são imprescindíveis para quem estuda no campo de atuação do ensino de língua, pois são elas que, uma vez adotadas, influenciam direta ou indiretamente no processo de ensino-aprendizagem dos alunos, tornando-os habilitados ou não a utilizar a língua como instrumento de interação num processo transformador e significativo para a sua vida e a vida em sociedade. Considerando isso, vimos à necessidade de se apresentar uma abordagem sobre as concepções de linguagem, os tipos de gramática, os tipos de ensino e os objetivos de ensino de língua materna com base nos fundamentos estudados por Travaglia, Possenti e outros lingüistas. A concepção de linguagem é uma questão importante no ensino de língua materna.A maneira como o professor concebe a linguagem é vista por Travaglia (1996) como um dos primórdios, pois o conceito da natureza fundamental da língua altera altamente como se estrutura o trabalho, em termos de ensino. O autor apresenta três concepções distintas de linguagem. Na primeira concepção a linguagem é vista como expressão do pensamento. Nesse sentido, as pessoas falam porque pensam, e, quando não se expressam bem, é porque não pensam. Para quem concebe a linguagem nesses termos, as expressões são construídas no interior da mente, quando declaradas na fala são apenas uma tradução do que é pensado. Segundo Geraldi: “essa concepção ilumina, basicamente, os estudos tradicionais” (2000, p. 4. Na segunda concepção a linguagem é vista como instrumento de comunicação. Segundo Travaglia: “Nessa concepção a língua é vista como um código, ou seja, como um conjunto de signos que se combinam segundo regras, o que é capaz de transmitir uma mensagem, informações de um emissor a um receptor”. (1996, p. 22). Na terceira concepção a linguagem é vista como processo de interação. Nessa concepção, o falante atua e age sobre o interlocutor. Desse modo, a linguagem não é vista como uma forma de exteriorizar o pensamento, nem como uma forma de transmitir informações às outras pessoas. Afirma Travaglia que: “É uma forma de interação humana. Produz efeitos de sentido entre os que falam, considerando o contexto sócio-histórico e ideológico”. (idem p. 23). O tipo de gramática adotado por quem trabalha o ensino de língua materna, seja na sala de aula ou na elaboração de livros e materiais didáticos também é de suma importância para se focalizar o objetivo de ensino de língua. Possenti, ao falar sobre esse assunto diz: “se não para ensinar gramática, pelo menos para defender tal ensino, é preciso saber o que é gramática – ou parece decente que assim seja”, (1998, p. 63). No entanto, também acontece que nem todos têm uma única visão do que seja a gramática, ou seja, há diferentes tipos de gramáticas, apresentados por diversos estudiosos, pois nem todos a concebem de uma mesma maneira. Travaglia (1996) nos apresenta como o primeiro tipo a gramática normativa. Ela estuda os princípios e regras da norma culta de uma língua, a língua oficial. A base geral dos estudos são os fatos da língua escrita, não dando muita importância à variedade oral. Nesse sentido, a variedade oral é vista como idêntica à escrita. Sendo assim, a gramática normativa apresenta e dita normas de bem falar e escrever, prescreve o que se deve ou não se deve usar na língua. Possenti (1998) diz que esse tipo de gramática é a mais conhecida pelos professores de 1º e 2º graus, modalidades que são hoje colocadas em conjunto para formar a Educação Básica. O segundo conceito apresentado por Travaglia (idem) é a gramática descritiva. Nessa gramática, os estudos realizados se preocupam em descrever e registrar uma determinada variedade da língua em um dado momento de sua existência. É um estudo sincrônico, e pode trabalhar qualquer variedade da língua, não apenas variedade culta. Outro aspecto que a distingue da anterior é que ela dá preferência à forma oral da variedade estudada. A gramática internalizada, também é uma das que fazem parte da tipologia apresentada por Travaglia. É vista como o conjunto de regras que é dominado pelos falantes e que lhes permite o uso normal da língua. Essa gramática é objeto de estudo dos tipos anteriores, sobretudo da descritiva. Segundo Possenti (1998), esse tipo de gramática permite ao falante produzir frases e seqüências de textos reconhecendo-as como pertencentes à sua língua. Para isso, o falante já internaliza naturalmente na aquisição da linguagem os conhecimentos: lexical e sintático-semântico que são necessários para o uso no cotidiano. Além desses três tipos que Travaglia (1996) coloca como derivados da concepção que temos de gramática, outros três tipos, que se ligam à explicitação da estrutura e dos mecanismos de funcionamento da língua, são ainda apresentados por ele: A gramática implícita que é vista como a competência lingüística internalizada do falante. Os elementos gramaticais implícitos são as regras e princípios em todos os níveis de constituição e funcionamento da língua; fonológico, sintático, semântico, entre outros que o falante usa, mas não tem consciência do uso. A gramática explícita que trabalha com a metalinguagem e torna explícita a estrutura da língua e seu funcionamento. Os estudos são baseados nas gramáticas normativas e descritivas, pois geralmente trabalha regras e princípios que permitem o uso da língua. Há também a gramática reflexiva, que trabalha a explicitação do uso da língua. É um conceito que se refere mais ao processo de ensino do que aos resultados. Ela representa as atividades de observação e reflexão sobre a língua. E tenta detectar a constituição e funcionamento da língua. Parte das evidências lingüísticas para tentar explicar a gramática implícita do falante, que é a gramática da língua. Segundo Traváglia, esses três últimos tipos de gramática “representam uma diferença muito produtiva na questão do ensino de gramática [...] e podem ser diretamente relacionados à distinção entre as atividades” (1996, p. 33). Concebendo-os, teremos condições de estabelecer a diferença entre atividades lingüísticas, epilingüísticas e matalinguísticas. Atividades Lingüísticas São consideradas aquelas de nível oral, além de algumas escritas mais simples, de repetição ou de transformação, calcadas na gramática interiorizada do falante, sem que dele seja exigida a reflexão. Geralmente, são atividades aplicadas nas primeiras séries do ensino fundamental e podem incluir até mesmo pequenas composições orais "São aquelas praticadas nos processos interacionais, referem-se ao assunto em puta(GERALDI, 1995). Atividades Epilinguísticas voltam-se para o trabalho reflexivo e de transformação elaborado com a linguagem escrita. Citem-se exemplos, tais como: ampliação de sintagmas, transformações de sintagmas nominais em verbais e vice-versa, alteração de conectivos, sempre observando-se os efeitos provocados. Desde as primeiras séries do ensino fundamental, o professor pode começar a trabalhar com elas em nível gradual de dificuldades. "São aquelas também presentes nos processos interacionais, e nele detectáveis, resultam de uma reflexão que toma os próprios recursos expressivos como objeto".(GERALDI, 1995) Atividades Matalinguísticas "são aquelas que tomam a linguagem como objeto não mais enquanto reflexão vinculada ao próprio processo interativo, mas falam sobre a língua (GERALDI, 1995. Voltam-se, geralmente, para os conceitos da gramática tradicional. TRECHO RETIRADO DA MINHA MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO EM LETRAS. COMO CITÁ-LA: FREITAS, Maria Mônica de. Ensino de língua materna: um estudo sobre as concepções que desencadeiam o processo ensino-aprendizagem Mossoró/RN: UERN, 2007. Disponível em: www.portaldasletraspoty.blogspot.com.

2 comentários:

Anônimo disse...

EXCELENTE. FICO DIGNIFICADA EM SABER QUE APESAR DA DIFICULDA ENFRENTADA PELA ÁRDUA CARREIRA DO PROFESSOR DE LETRAS, ENCONTRAMOS AO LONGO DO CAMINHO, PESSOAS COMPETENTES PARA TRATAR E TRILHAR TRAJETÓRIAS SIGNIFICATIVAS PARA UM ENSINO DE QUALIDADE. PARABÉNS!
MARIA DA DORES

Mônica Freitas disse...

Obrigada, mas esse é o meu ideal, embora nem todos entendam.